O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a enfrentar um cenário cada vez mais delicado no Nordeste, região que por décadas foi o principal pilar eleitoral do projeto petista. Estados como Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Sergipe já não demonstram a mesma fidelidade política de outros ciclos eleitorais e revelam sinais claros de desgaste, impopularidade de aliados e distanciamento do eleitor.
No Ceará, o governo de Elmano de Freitas se tornou um símbolo dessa crise. Eleito sob forte influência do PT nacional, Elmano enfrenta dificuldades de gestão, baixa articulação política e crescente rejeição popular. Nos bastidores e nas pesquisas, surge um ambiente favorável ao retorno de Ciro Gomes, que passa a capitalizar o sentimento de frustração com o atual governo estadual. O estado, antes tratado como vitrine do petismo, hoje expõe o esgotamento do modelo político imposto nos últimos anos.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues vive um dos momentos mais sensíveis desde o início do mandato. Apesar do alinhamento direto com Lula, enfrenta impopularidade elevada, crise na segurança pública e dificuldades para responder às demandas econômicas. A tradicional força do PT no estado já não se traduz automaticamente em apoio popular, e o eleitor começa a demonstrar cansaço com promessas e discursos repetidos.
O Rio Grande do Norte apresenta um quadro ainda mais simbólico do desgaste. A governadora Fátima Bezerra acumula rejeição, agravada por problemas fiscais, infraestrutura precária e isolamento político. O sinal mais contundente veio de dentro do próprio governo: o vice-governador não demonstra interesse em assumir o comando do estado, evidenciando a percepção de que a gestão se tornou um passivo político.
Em Sergipe, o movimento é mais silencioso, porém significativo. O eleitor tem se mostrado menos disposto a seguir alinhamentos automáticos com Brasília e cobra resultados concretos. Cresce a rejeição ao discurso ideológico e à dependência do capital político federal, indicando uma mudança no comportamento eleitoral.
O que esses estados revelam é um padrão preocupante para o Planalto: a dependência excessiva do prestígio do passado e a aposta em lideranças locais frágeis. O governo federal subestimou o desgaste econômico, ignorou mudanças no humor do eleitor e falhou em atualizar sua leitura política do Nordeste.
A região continua decisiva em qualquer eleição nacional. Mas a ideia de um Nordeste automaticamente alinhado ao PT já não corresponde à realidade. Quando o afastamento do eleitor acontece de forma silenciosa, a história política mostra que a derrota costuma chegar antes do que o poder imagina.

Postar um comentário