A decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados de suspender parlamentares por 60 dias gerou reação no Congresso Nacional e abriu novo capítulo de tensão política em Brasília.
O senador Flávio Bolsonaro manifestou apoio aos deputados Marcel van Hattem, Marcos Pollon e Zé Trovão, que foram punidos após decisão do colegiado. A medida ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça antes de seguir para votação em plenário.
Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que a punição pode abrir precedente contra o exercício parlamentar. Segundo ele, a decisão levanta preocupações sobre limites da atuação política dentro do Congresso.
Flávio argumentou que manifestações ligadas a pautas políticas, como a defesa de anistia, fazem parte do debate democrático e não deveriam resultar em sanções dessa natureza. Ele também apontou que episódios semelhantes, em outros momentos, não teriam gerado punições equivalentes.
A expectativa, segundo o senador, é que a CCJ reavalie o caso, considerando critérios como proporcionalidade e coerência nas decisões do Parlamento
Entenda o caso
O Conselho de Ética aprovou a suspensão de Marcel van Hattem por 13 votos a 4, após uma sessão que durou mais de oito horas. Os processos envolvendo Pollon e Zé Trovão também resultaram em punições semelhantes.
Os três parlamentares foram denunciados por participação na ocupação da Mesa Diretora da Câmara, em agosto de 2025. Na ocasião, deputados da oposição interromperam o andamento da sessão em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Durante a sessão do Conselho de Ética, Van Hattem criticou a condução do caso e afirmou não ter sido recebido para diálogo prévio com a presidência da Câmara, atualmente ocupada por Hugo Motta.
Próximos passos
A decisão do Conselho de Ética ainda não é definitiva. O processo seguirá para análise na CCJ, que pode manter ou revisar a punição antes de eventual votação no plenário da Câmara.
O episódio reforça o clima de disputa política no Congresso e reacende o debate sobre os limites da atuação parlamentar e as regras de funcionamento interno da Casa.

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