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Ministro do STF foi sorteado relator de investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e operações financeiras ligadas ao setor de apostas. Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz negam irregularidades.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado relator de um novo inquérito que investiga suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz.
A informação, divulgada pela Revista Oeste, surge em um momento decisivo da disputa presidencial, a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e movimentações financeiras relacionadas a empresas do setor de apostas.
O procedimento teve início na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e foi encaminhado ao Supremo em 8 de outubro, em razão do foro por prerrogativa de função do senador.
Segundo a reportagem, a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisou os elementos apresentados e manifestou-se favoravelmente à abertura do inquérito.

PF encontrou nome de Flávio em documentos bancários
Um dos principais pontos da investigação envolve documentos identificados pela Polícia Federal durante a análise de dados telemáticos do advogado Willer Tomaz.
Entre os arquivos examinados, os investigadores localizaram e-mails relacionados a uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado.
De acordo com o relatório policial citado pela reportagem, o nome de Flávio Bolsonaro aparecia na documentação com a classificação de “usuário master”, perfil que poderia conferir elevado nível de acesso e gerenciamento da conta.
A PF também encontrou uma mensagem eletrônica datada de 22 de maio de 2025, na qual uma funcionária de Willer Tomaz solicitava ao banco a retirada do acesso associado ao nome do senador.
Para os investigadores, a comunicação poderia indicar que o nome de Flávio permanecia vinculado operacionalmente à conta até aquela data.
A defesa do parlamentar, entretanto, contesta essa interpretação e nega que ele tenha administrado ou mantido acesso a contas do advogado ou de suas empresas.

Investigação também alcança empresas do setor de apostas
Outro eixo da apuração envolve possíveis relações comerciais e movimentações financeiras de empresas ligadas ao mercado de apostas.
Segundo as informações divulgadas, a Polícia Federal investiga indícios de que Willer Tomaz teria controle ou interesse econômico na Rede Loto e na RioPag.
Os investigadores também analisam transações envolvendo a Foggo Entertainment, responsável pela operação da plataforma Blaze no Brasil.
O objetivo é esclarecer a estrutura das empresas, os eventuais vínculos entre seus participantes e a origem e o destino dos recursos movimentados.
A identificação de relações empresariais ou movimentações financeiras não significa, isoladamente, que tenham ocorrido crimes.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam relação financeira irregular
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz reconhecem que mantêm uma relação de amizade entre suas famílias, mas negam negócios em conjunto.
A defesa do senador afirmou que “a única relação existente entre eles é a de amizade entre as famílias” e classificou como “mera ilação” qualquer tentativa de atribuir irregularidades financeiras ao parlamentar com base nessa proximidade.
Os advogados também negaram que Flávio tenha atuado como usuário master em contas bancárias vinculadas a Tomaz.
Willer Tomaz, por sua vez, negou a prática de crimes e questionou a interpretação dos dados obtidos pela Polícia Federal.
O advogado afirmou que a Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas e sustentou que não houve circulação irregular de recursos entre as empresas mencionadas.
Ele também criticou a divulgação das informações durante o período eleitoral, classificando a análise dos dados como uma “pescaria probatória”.

Moraes volta ao centro de investigação envolvendo a família Bolsonaro
A distribuição do novo inquérito a Alexandre de Moraes acrescenta mais um episódio à relação entre o Supremo Tribunal Federal e a família Bolsonaro.
O fato de o ministro ter sido sorteado relator ocorre em um contexto de intensa disputa política, no qual decisões judiciais envolvendo candidatos à Presidência recebem atenção ampliada.
A proximidade entre a abertura do procedimento e a votação de segundo turno também deve intensificar o debate público sobre os desdobramentos da investigação.
Entretanto, a coincidência temporal não constitui, por si só, evidência de interferência eleitoral ou de motivação política na atuação das autoridades.

O que acontece agora?
Com o inquérito no STF, caberá às autoridades responsáveis aprofundar a análise dos documentos, esclarecer os vínculos financeiros apontados e verificar se existem elementos suficientes para sustentar eventuais acusações.
A investigação deverá estabelecer se a presença do nome de Flávio Bolsonaro nos registros bancários corresponde a alguma atuação efetiva em operações financeiras ou se representa apenas uma referência documental sem participação do senador.
Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito a suspeitas em investigação, e não a crimes comprovados. Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam as irregularidades.
A apuração segue sob a relatoria de Alexandre de Moraes, enquanto o país se aproxima da definição da eleição presidencial de 2026.


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